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COMPROMISSO DE PAGAMENTO NO PRAZO ACORDADO: Uma Cultura de Pagamentos Atempados

A ACEGE no âmbito do programa ACONTESER, encomendou um estudo coordenado por Augusto Mateus:

“Compromisso de pagamento no prazo acordado: uma cultura de pagamentos atempados”

O estudo sugere um conjunto de desafios para “ajudar a criar uma mudança na cultura de pagamentos vigente, mudança essa que poderá gerar, como apontam as conclusões, “um impacto fortemente dinamizador na economia portuguesa”.

Algumas notas:

- Metade dos pagamentos é feito com atraso

- No universo empresarial português, cerca de 44% da facturação é paga em atraso. Nas PME, cerca de 47% dos pagamentos são feitos depois do prazo acordado.

- Os prazos degradaram-se 12 dias desde 2006, de 68 para 80 dias

- O agravamento dos prazos médios de pagamento nos últimos cinco anos representam um desvio de capital disponível da função investimento para a função de apoio à tesouraria. É um travão aos ciclos de negócio que retarda a actividade económica e quebra a confiança nas transacções entre empresas.

- O impacto acumulado dos atrasos desde 2006 equivale a 2% do PIB

- O efeito acumulado do agravamento dos prazos ao longo dos últimos cinco anos equivale a quebras superiores a 13,3 mil milhões de euros do valor bruto da produção e a 2,8 mil milhões de euros do valor acrescentado bruto.

- Atrasos destroem mais de 14 mil empregos por ano

- O efeito acumulado do agravamento dos prazos de pagamento/recebimento ao longo dos últimos cinco anos equivale a uma quebra de 72 mil empregos. Desde 2006, a quebra média anual supera os 14 mil empregos.

- Potencial da aplicação da nova Directiva supera 120 mil empregos

- A redução imediata do prazo de pagamento das transacções comerciais para os 60 dias impostos pela nova Directiva pode gera r mais de 120 mil empregos, 22 mil milhões de euros do valor bruto de produção e 4,8 mil milhões de euros do valor acrescentado bruto, o que representa 3,24% do PIB.

- O volume de pagamentos em atraso atinge um terço da produção

- Os atrasos nos pagamentos representam um terço do PIB Português de 2010 e três quartos do total do montante de assistência financeira União Europeia / FMI a Portugal.

- O investimento encolheu 23% na última década

- Entre 2000 e 2010, a Formação Bruta de Capital Fixo caiu 23% em Portugal, traduzindo a evidente deterioração das expectativas do meio empresarial quanto à evolução da procura interna e externa, a elevada incerteza e o risco associados às decisões de investimento e às condições mais restritivas de acesso ao crédito.

- Dificuldades no acesso ao crédito estão a asfixiar as PME

- O crédito às empresas caiu em 2010, o que não sucedia desde 2002. Está em marcha uma profunda reavaliação das condições de acesso ao crédito que, aliada a outras condições conjunturais, sufoca as pequenas e médias empresas.

- O sector público é o que mais paga atrasado

- O sector público é o principal catalisador do alargamento dos prazos médios de pagamento, com destaque para Itália (180 dias), Espanha (153 dias) e Portugal (139 dias).

- Os incobráveis aumentaram 14% no último ano

- Os créditos que não serão recebidos atingiram €4.000 milhões, equivalendo a 80% da mais recente tranche da assistência financeira União Europeia/FMI a Portugal.

- O número de empresas insolventes aumentou 23% desde 2009

- Nos primeiros oito meses de 2011 o número de empresas insolventes ascendeu a 3.000, o que compara com 2.400 no mesmo período de 2009.

- Os pagamentos em atraso geram estrangulamentos financeiros

- 34% das empresas inquiridas necessitam de recorrer a crédito bancário e outros instrumentos financeiros, 29% paga com dificuldades a fornecedores e 24% cai em situação de estrangulamento operacional.

- Os pagamentos em atraso bloqueiam o emprego e o investimento

- A estratégia de gestão de tesouraria de mais de metade das empresas inquiridas passa por adiar a contratação de recursos humanos e possíveis investimentos.

- A cultura empresarial privilegia a manutenção da relação comercial com o devedor

- Quatro em cada cinco empresas inquiridas não cobram juros de mora aos clientes que pagam em atraso.

- Os pagamentos em atraso geram um círculo vicioso

- Dois terços das empresas inquiridas (63%) apontam o recebimento em atraso dos clientes como causa do pagamento fora do prazo acordado aos seus fornecedores.

Para mais informações consulte o link: www.ver.pt

ACEGE—Associação Cristã de Empresários e Gestores

Tel: 217 941 323 | E-mail: acege@acege.pt

 

Publicado em 21/12/11


um projecto da Câmara Municipal de Torres Vedras
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